Este material possui algum valor?

ESTE MATERIAL POSSUI ALGUM VALOR?

Esta é a pergunta que os gemólogos ouvem com frequência, e por não haver gemólogos disponíveis nos quatro cantos do Brasil, geralmente esta pergunta é recebida por e-mail ou outros meios digitais, impossibilitando a análise do material.

Eu costumo dizer que tudo no mundo possui algum valor, seja econômico ou sentimental.

O valor sentimental é algo pessoal, e não há dinheiro que pague, como no caso das joias de família carregada de histórias e sentimentos. Por outro lado, o valor financeiro depende de diversos fatores (Ex: oferta x demanda, disponibilidade, etc.).

Mas em se tratando de material gemológico existem três critérios que devem ser levados em consideração:

1 – Beleza
2 – Raridade
3 – Durabilidade

Você pode praticar a observação destes critérios no material que possui, seguindo as seguintes referências:

Beleza

Neste critério leva-se em consideração quesitos como saturação da cor, intensidade do brilho, ausência ou presença de inclusões ou qualquer outra característica que torne o material agradável aos olhos, como fenômenos ópticos, por exemplo. No caso das gemas coradas, quanto melhor for a saturação de cor (vívida) e melhor distribuída (sem falhas), maior será o seu valor.

Clique para ver níveis de saturação (Pálida à vívida):

Saturação de cor em amostras de ametistas

Saturação de cor em amostras de safiras

Raridade

É a qualidade de todo material raro. No campo de estudos da gemologia, a raridade de um material gemológico está ligada à composição química do mineral, ambiente de formação e tipo de ocorrência (Ex: Esmeraldas e diamantes são mais raros do que o quartzo).

  • Quanto a composição química – Entre os elementos encontrados na crosta terrestre, silício e oxigênio são os mais abundantes enquanto o berílio é um dos menos abundantes , logo, podemos inferir que o quartzo (SiO₂) é um mineral menos raro do que uma esmeralda cuja fórmula é Be3Al2(Si6O18).
  • Quanto ao ambiente de formação – Até onde os estudos revelaram, os diamantes comercialmente viáveis se cristalizam no manto superior da terra (~150km abaixo da crosta) sob alta pressão (> 4 GPa) e temperaturas (entre 950ºC a 1400ºC) e são naturalmente transportados por magma para a superfície em velocidade adequada. Por outro lado, o quartzo se cristaliza em porções da crosta terrestre, geralmente em veios hidrotermais à temperaturas bem inferiores a da formação do diamante. 
  • Quanto ao tipo de ocorrência – Os depósitos diamantíferos primários e secundários são restritos à regiões limitadas, enquanto os depósitos primários e secundários de quartzo são registrados em várias ocorrências ao redor do planeta.

Durabilidade

Trata-se da resistência que o material possui aos ataques físicos e ataques químicos durante o uso no dia a dia. 

  • Ataques físicos: abrasão, impacto por queda ou pancada acidental, variação de temperatura.
  • Ataques químicos: contato com suor, perfume, produtos de limpeza.

O quartzo possui maior tenacidade e menor dureza, quando comparado com o diamante:

  • Quartzo – Mais resistente à impactos e menos resistente à abrasão;
  • Diamante – Mais resistente à abrasão e menos resistente à impactos.

Embora os materiais de baixa dureza e tenacidade sejam suscetíveis a ataques físicos e químicos, alguns deles são utilizados na joalheria, como as pérolas, que chegam a alcançar valores elevados, e as apatitas. Contudo, estes materiais demandam maiores cuidados de uso e manutenção.

Inclusões

Note que a ausência ou a presença de inclusões foram citadas nos critérios de beleza e raridade. Na gemologia, o termo “Pureza” é utilizado para caracterizar a ausência ou presença de inclusões e a sua respectiva quantidade e volume.

O quesito “Pureza” é uma importante variável nos três critérios, podendo agregar ou depreciar o valor de um material gemológico:

  • Pureza x Beleza – Uma safira com muitas inclusões pode ser pouco ou muito atrativa dependendo do tipo de inclusões e a forma como elas estão distribuídas.
  • Pureza x Raridade – Um diamante com um volume de inclusões visíveis possui um valor reduzido quando comparado a um diamante sem inclusões. Por outro lado, um raro diamante negro deve sua cor à um grande volume de minúsculas inclusões. Outros exemplos são inclusões de rara ocorrência que agregam valor ao mineral (Ex: ajoíta, papagoíta, covelita).
  • Pureza x Durabilidade – As descontinuidades de uma inclusão podem causar fragilidade em seu mineral hospedeiro, diminuindo sua dureza ou tenacidade.

Pontos que devemos considerar

Estes três critérios são os que caracterizam um material gemológico. Com exceção do critério “beleza”, o material pode não apresentar os outros dois critérios, como no caso do quartzo que não é raro ou das pérolas que possuem uma resistência mais baixa, porém, ambos são utilizados na joalheria.

 

A intenção desta postagem é tentar orientar as pessoas com pouco conhecimento no campo da gemologia.  Havendo dúvidas à respeito da postagem, deixe sua pergunta nos comentários que vou atualizando e adequando a postagem para um maior entendimento.

Esta postagem complementa o vídeo postado nos canais do Gemólogo no Youtube e Vimeo. Para mais dicas e informações, inscreva-se nos canais.

Bons estudos!

 

Referências:

https://www.mindat.org/min-819.html

https://www.webelements.com/

https://www.science.co.il/elements/?s=Earth

https://education.jlab.org/itselemental/ele004.html

https://environmentalchemistry.com/yogi/periodic/

http://www.daviddarling.info/encyclopedia/E/elterr.html

https://www.smithsonianmag.com/science-nature/diamonds-unearthed-141629226/

https://geology.com/articles/diamonds-from-coal/

http://webmineral.com/data/Quartz.shtml#.XJ8AK5hKhPY

https://www.mindat.org/min-3337.html

https://www.britannica.com/science/quartz

https://goo.gl/PrK5F6

https://goo.gl/fcHcFa

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