Afinal, o detector de diamantes é confiável?

Provavelmente é a dúvida mais comum para quem decidiu investir em diamantes e não possui um conhecimento mais aprofundado em Gemologia.

Para a identificação de uma gema, deve-se obedecer uma série de análises tradicionais conhecidas entre os gemólogos como “Marcha Analítica”.

São análises não destrutivas onde são aferidas as propriedades físicas das gemas (densidade, índice de refração, pleocroísmo, etc…), que nos permitem, por meio de eliminação, chegar à conclusão da identidade da gema.

Os detectores, popularmente conhecidos como “canetas”, são utilizados na diferenciação entre os diamantes e suas imitações mais comuns (Safira incolor, zircônia cúbica, YAG, GGG e moissanita) geralmente as análises são feitas pelos detectores baseadas em duas propriedades:

• Condutividade Elétrica – Habilidade dos materiais de conduzir carga elétrica.

O diamante é composto basicamente por átomos de carbono unidos fortemente por ligação covalente, onde seus 4 elétrons da camada de valência estão ligados a 4 átomos de carbono. Sendo assim, os diamantes não possuem elétrons livres para conduzir eletricidade, o que faz deles um isolante elétrico.

Contudo, existe um tipo de diamante muito raro (tipo llb) , que devido a presença de Boro na sua composição química, é considerado excelente condutor de eletricidade.

Estes tipos de diamantes “enganam” a leitura dos detectores, que os identificam como Moissanita, material sintético que apresenta eletrocondutividade.

• Condutividade Térmica – Habilidade dos materiais de conduzir energia térmica.

Devido à sua forte ligação covalente, os diamantes são ótimos condutores térmicos, pois a condutividade térmica se dá por meio da vibração dos átomos, transmitindo o calor de um para o outro.

Alguns modelos de detectores combinam as leituras de condutividade térmica e elétrica, aumentando a sua  eficácia na distinção entre os diamantes e suas respectivas imitações, porém continuam passíveis de erro.

 

Forever one, o novo contratempo

A empresa Charles & Colvard, presente no mercado de sintetização e comercialização de moissanita desde 1995, desenvolveu uma nova qualidade de moissanita batizada com o nome “Forever One”. Tal gema costuma apresentar baixa condutividade elétrica, característica que “confunde” a leitura dos detectores .

“Forever One”  (Fonte: Charles & Colvard)

Novos modelos, novas promessas

Modelos mais sofisticados possuem luz UV equipada na ponta dos detectores, com a promessa de eliminação de falhas, baseando-se no princípio da Fotocondutividade.

• Fotocondutividade – É o fenômeno no qual um material se torna mais susceptível à eletrocondutividade devido a absorção de radiação eletromagnética (Luz visível, ultravioleta, infravermelha ou radiação gama).

A marca GemOro possui dois detectores que prometem esta redução da margem de erro utilizando a fotocondutividade, são eles o GemOro Testerossa e o GemOro Pro-M3 que prometem identificar mesmo as moissanitas “Forever One”.

Os detectores podem ser vistos em operação no vídeo abaixo:

 

Opinião do Gemólogo

Com os avanços tecnológicos, a cada dia temos mais equipamentos que prometem fornecer resultados precisos de maneira simplificada, e que por vezes até cumprem esta promessa. Porém, gemólogos experimentados sempre consideram a reunião de diversas características das gemas antes de tirar a própria conclusão.

Ao longo do curso de gemologia aprendemos a identificar as propriedades das gemas e as suas respectivas causas e este é o conhecimento que utilizamos para uma identificação bem sucedida.

Como vimos nesta publicação, as “canetas” detectoras fazem as análises baseadas em condutividade térmica e/ou elétrica, que apresentam valores próximos em diamantes e moissanitas.

Levando em consideração propriedades mais relevantes como índice de refração, dispersão, dupla refração x refração simples ou até mesmo a Lipofilia, podemos concluir que uma lanterna, uma lupa e até a oleosidade da pele, juntas, podem fornecer resultados mais satisfatórios na diferenciação entre diamantes e moissanitas.

 

Conclusão

As “canetas” detectoras não são uma solução fácil e barata pois não substituem o conhecimento e experiência.

Não se iluda pensando que comprando este equipamento, você vai ser um aventureiro bem sucedido fazendo identificações precisas de diamantes e moissanitas para investimento.

 

Mas se estiver decidido a investir em diamantes eu deixo duas sugestões:

1 – Estude e adquira experiência na identificação de diamantes (Isso vai te ajudar até a entender o que foi escrito no último parágrafo da Opinião do Gemólogo, acima)

2 – Consulte O Gemólogo!

 

Bons estudos e até a próxima postagem!

 

Seguem abaixo algumas referências para pesquisa:

The New Moissanite Has a Detector Problem

https://www.thoughtco.com/diamond-a-conductor-607583

https://www.loupe-magnifier.com/moissanite_testers.htm

http://www.quicktest.co.uk/moissanite-tester-article.htm

https://en.wikipedia.org/wiki/Photoconductivity

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