GIA detecta camada de diamante sintético CVD sobrecrescida em diamante natural (tratamento de cor)

O Gemological Institute of America (GIA) relatou nesta última sexta-feira (05/05/2017) ter analisado um diamante natural incolor tipo “Ia” de 0.33 quilates com uma camada de diamante sintético tipo “IIb” aplicado em sua parte superior a fim de lhe conferir uma coloração azul (Fancy Blue). A espessura da camada CVD (Chemical Vapor Deposition) sobrecrescida era de aproximadamente 80 microns.

Nitrogênio é considerado o defeito mais abundante em diamantes naturais, enquanto Boro, por outro lado, é uma impureza rara. O laboratório do GIA em Nova Iorque foi alertado da ocorrência de ambos os defeitos de Boro e Nitrogênio em um único diamante.

 

Diamante apresentando coloração azul devido à camada de diamante sintético CVD na sua parte superior.

 

Filmes (finas camadas) de diamantes sintéticos CVD tem sido cultivadas em substratos de diamantes desde o início da década de 60 e em 1993, camadas sintéticas CVD foram cristalizadas com sucesso sobre substratos de diamantes naturais tipos “Ia” e “IIa”. Entretanto, o GIA disse que é a primeira vez que é detectado um sobrecrescimento sintético com uma graduação de cor Azul Fancy em um diamante natural.

O GIA advertiu que a identificação de diamantes coloridos deve ser executada com muita cautela, procurando por características incomuns, tais como uma linha reta limítrofe associada a um plano de interface e zonas de fluorescência com arestas agudas nas imagens do DiamondView (clique para mais informações). O exame deste diamante composto com graduação de cor fantasia, indicou que desafios similares podem existir para diamantes incolores e quase incolores.

 

Traduzido de:
Gemkonnect

Outra referência:
Diamonds.net

 

Opinião do Gemólogo

Qual o impacto que esta técnica pode causar no mercado?

 A técnica é bem astuta e pode confundir o gemólogo que não dispõe de equipamentos para análises mais avançadas em diamantes. A detecção só foi possível devido a identificação da presença de Boro e Nitrogênio em uma mesma amostra, algo muito raro de acontecer, e através desta suspeita foram executadas análises mais minuciosas;

• Por se tratar de uma fina camada (80 microns) de diamante sintético cristalizado sobre um diamante natural, as características do diamante natural (características de pureza, por exemplo) permanecem mais evidentes do que as características da camada sintética;

• Esta é apenas a primeira descoberta relatada em um diamante com uma graduação de cor azul fancy, o que nos leva a crer que esta técnica pode estar sendo empregada com outras graduações de cor, inclusive em diamantes incolores (neste caso para dificultar a detecção do tipo de diamante);

• Por se tratar de um sobrecrescimento de diamante sintético em um diamante natural, há uma diferença considerável em relação à outra técnica de coloração reconhecida como revestimento, na minha opinião, não devemos classificá-la como revestimento (Vamos aguardar a “harmonização” da classificação por algum comitê, por exemplo o LMHC);

 

Tratamento ou fraude?

Considerando que:

• A técnica foi detectada por meio de análise e não divulgada pelo comerciante no ato da compra;

• O tratamento pode ser removido por meio de lapidação ou polimento.

Segundo as regras da Comissão Federal do Comércio dos EUA (Federal Trade Commission – FTC), conforme citado no trecho abaixo, trata-se de uma atitude fraudulenta:

§ 23.22 Divulgação de tratamento de gemas

É injusto ou enganoso deixar de divulgar se uma gema foi tratada, se:

(a) O tratamento não for permanente. O vendedor deve divulgar que a gema foi tratada mesmo que o tratamento seja permanente ou não. 

(b) O tratamento cria a necessidade de cuidados especiais para com a gema. O vendedor deve divulgar que a gema foi tratada e que requer cuidados especiais. É também recomendado que o vendedor informe ao comprador quais os cuidados especiais que a gema necessita.

(c) O tratamento agregar um valor significante ao valor da gema. O vendedor deve informar que a gema foi tratada.

 

Pelas regras brasileiras informadas no Boletim Referencial de Preços publicado pelo DNPM e IBGM em 2009, só não é considerado fraude a não declaração de tratamentos irreversíveis e não diagnosticáveis, ou seja, aqui no Brasil a comercialização destes diamantes sem a declaração do tratamento seria fraudulenta.

Com base nas regulamentações nos EUA e no Brasil citadas acima, podemos inferir que futuramente este tipo de tratamento poderá ser aceito no mercado, bem como os outros tipos de tratamentos são, desde que sejam informados no ato da venda.

Enquanto não surgem novas informações à respeito deste novo tratamento, não se esqueçam:

“Atenção dobrada nas próximas análises em diamantes!”

Encontrar alguns diamantes com este tipo de tratamento aqui no mercado brasileiro seria uma grande oportunidade de desenvolvermos técnicas analíticas de baixo custo para a detecção deste tipo de tratamento.

 

Bons estudos à todos!

 

E lembrem-se: “Tratamento de gemas é aceitável, omitir a informação, NÃO!”

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *