A influência da fluorescência na avaliação do diamante

Intensidades de florescência (azul) dos diamantes

 

A fluorescência nos minerais

Fluorescência é a reação de alguns minerais que apresentam graus de luminescência (emitem luz) quando expostos à luz Ultravioleta (UV).

No caso dos diamantes esta reação é causada pela presença de elementos traço em sua composição química e cerca de 25% a 35% dos diamantes no mercado apresentam fluorescência quando expostos à luz UV.

Geralmente os diamantes emitem luminescência em tom azulado (mais frequente), amarelo (menos frequente) ou alaranjado (mais raro).

Para esta análise em laboratório utiliza-se uma lâmpada especial UV, porém, o sol é uma fonte de raios UV e o diamante também reagirá à sua exposição.

Com as informações acima,  já podemos perceber a interação que ocorre entre a luz UV e alguns diamantes.

 

Classificação da fluorescência nos diamantes

O Gemological Institute of America (GIA) NÃO considera a fluorescência de um diamante como um fator de graduação (como os 4 C’s) e SIM como uma característica de identificação.

Sendo assim, ela é descrita de acordo com a sua intensidade (Nenhuma; fraca; média; forte; e muito forte), quando comparada ao kit de gemas padrão usado em laboratório para referência (masterstones).

 

Escala de fluorescência: As mesmas gemas sob luz UV e luz natural (GIA)

 

A fluorescência apresenta-se mais evidente nas intensidades média, forte e muito forte e devemos considerar os seguintes fatores:

 

Cor da Fluorescência

A fluorescência em tom azulado pode fazer o diamante de cor amarelada (Graduação entre “I” e “M” do sistema GIA) parecer mais incolor quando exposto à luz UV ou à luz natural (sol).

Por exemplo, um diamante que possui uma fluorescência azul (de média a muito forte) e graduação de cor “J”, aparenta ter uma graduação de cor “H” quando observado à luz do sol.

Em contrapartida, um diamante que possui uma fluorescência em tom amarelo exibe uma cor mais amarelada quando observado à luz do sol, diminuindo assim a sua graduação de cor.

 

Intensidade da fluorescência

Quando o diamante apresenta uma fluorescência azul de intensidade muito forte, esta característica causa uma interferência maior na sua graduação de cor.

Neste caso, um valor negativo é esperado devido à “estigma” criada pelo mercado, e uma faixa de desconto de até 15% é oferecida em diamantes com esta característica, embora grandes descontos sejam raros (Veja a tabela abaixo).

 

Estigmas do mercado

Diamantes de graduações de cor “D” e “H” que apresentam fluorescência azul são considerados menos desejáveis no mercado.

Alguns profissionais do mercado acreditam que a fluorescência azul muito forte causa uma aparência embaçada ou oleosa nos diamantes, porém, estudos realizados em 1997 pelo Gemological Institute of América indicam que pessoas de acuidade visual comum (e sem capacitação científica para tal análise) não conseguem perceber esta interferência na aparência do diamante.

 

Há quem conteste o estudo do GIA:

Michael Fried, um veterano da indústria de diamantes e responsável pela site “The Diamond Pro” alega que o estudo é um disparate e reforça em suas palavras:

Eu tenho observado dezenas, se não centenas de milhares de diamantes em minha carreira e posso dizer sem questionar que:

  • Diamantes com fluorescência azul de intensidade forte/muito forte geralmente tem uma aparência “turva/embaçada”;
  • Diamantes com fluorescência azul de intensidade média raramente tem aparência “turva/embaçada”;
  • Diamantes com fluorescência azul de intensidade leve/fraca NUNCA apresentaram uma aparência “turva/embaçada”.

Por outro lado, Michael concorda que a fluorescência azul geralmente interfere na graduação de cor do diamante e dá um conselho aos compradores:

“…se você está comprando um diamante com uma graduação de cor “H” ou mais baixa, procure por um diamante com a fluorescência azul de intensidade média”.

“Eu sou hesitante em sugerir que procurem por um diamante com fluorescência azul forte, sabendo que mesmo nas graduações de cores mais baixas há a possibilidade do diamante apresentar uma aparência leitosa ou embaçada. Contudo, quanto mais baixa a graduação de cor, menor a probabilidade do diamante apresentar uma aparência leitosa.”

 

Aqui está um exemplo de um lindo diamante de cor J (clique), que é beneficiado pela fluorescência de intensidade forte.

 

Quanto ao ônus causado na precificação:

Confira abaixo a tabela que indica a desvalorização no preço dos diamantes com fluorescência azul intensa, publicada na postagem do site diamondregistry.com:

COR PUREZA FLUORESCÊNCIA

FRACA

FLUORESCÊNCIA

MÉDIA

FLUORESCÊNCIA

FORTE

FLUORESCÊNCIA

MUITO FORTE

D – F IF – VVS2 até -1% de -3% a-7% de -7% a -10% até -15%
VS1 – VS2 SEM PERDA de -1% a -2% de -3% a -5% até -10%
SI1 – I3 SEM PERDA SEM PERDA até -1% até -3%
G – H IF – VVS2 até -1% de -1% a -3% de -3% a -5% de -7% a -10%
VS1 – VS2 SEM PERDA até -2% de -2% a -3% até -10%
SI1 – I3 SEM PERDA SEM PERDA SEM PERDA SEM PERDA
I – M IF – I3 SEM PERDA até -2% até -2% até -2%

Obs: Apesar de ser praticada por alguns profissionais, esta classificação de ônus na precificação do diamante não é uma regra oficial de mercado.

 

Esta postagem é um resumo das informações publicadas nos sites abaixo.

Acessem para obterem informações mais detalhadas e para formarem a própria opinião à respeito do assunto.

Bons Estudos!

 

Referências (clique para acessar):

Fluorescência nos diamantes: bom ou ruim? (GIA)

Estudos realizados em 1997 pelo GIA

Publicação do site “The Diamond Pro” contestando os estudos do GIA

Publicação do Gemworld International

Publicação do site “Diamond Registry”

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